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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A INTERDISCIPLINARIDADE EM ARTE - EDUCAÇÃO NAS ESCOLAS ESTADUAIS E MUNICIPAIS DE CHAPECÓ (SC).

A INTERDISCIPLINARIDADE EM ARTE - EDUCAÇÃO NAS ESCOLAS ESTADUAIS E MUNICIPAIS DE CHAPECÓ (SC).


A arte-educação caracteriza-se como uma área fundamentada no núcleo comum do conhecimento humano na educação básica, com fundamentação teórica pautada na interdisciplinaridade, contemplando os diferentes conteúdos inerentes ao conhecimento e expressão artística como música, artes plásticas e artes cênicas e correlaciona-se com as demais áreas do conhecimento humano como Ciências, Português, Matemática, História, Geografia e Educação Física. Para tanto é de fundamental importância que esteja correlacionada.
A arte-educação, contextualizada à interdisciplinaridade, faz parte de uma complexa teia de relações entre os seres humanos que envolvem entre outros aspectos o conceito da cultura. É necessário, reconhecer que nos termos arte-educação agrega as questões políticas e filosóficas que revelam a especialidade e sinaliza a direção para o processo educacional e as práticas pedagógicas desenvolvidas diuturnamente nas instituições de ensino na mediação pedagógica, bem como a necessidade de analisar como ocorre o desenvolvimento do ensino da arte na educação, pois se trata de uma temática atual, desafiadora e atraente e com maior visibilidade e expressão social.
Atualmente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN´s, a Proposta Curricular do Estado de Santa Catarina e os Projetos Políticos-Pedagógico Institucionais das escolas, contemplam o ensino da arte como disciplina curricular de fundamental  importância para o desenvolvimento de habilidades diversas dos(as) estudantes, aliando o ensino em concomitância  com as demais áreas ou disciplinas, de forma  interdisciplinar, por meio  de um trabalho efetivo, direcionado e participativo com todos(as)  os(as) educadores(as) da escola. Muitos profissionais da educação e até estudantes, pensam erroneamente que o ensino da arte ainda esteja vinculado as antigo ensino de Educação Artística, muito descartado nas décadas de 60 a 80  no Brasil, por isso, o ensino, na atualidade, deve se pautar em outras situações  mais abrangentes e direcionadas na escola, inclusive com educadores habilitados na área,o que às vezes não ocorre.
Sendo assim, tem-se como pergunta norteadora da pesquisa a indagação. O ensino da arte na quinta série do Ensino Fundamental das Escolas a serem pesquisadas ocorre por meio de uma metodologia interdisciplinar e está fundamentado nos ideais da arte-educação contemplado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nos Parâmetros Curriculares Nacionais e na Proposta Curricular do Estado de Santa Catarina.
A arte-educação é uma área da educação básica que, possui características de atendimento próprias, com profissional habilitado, segundo os fundamentos teóricos; para tanto necessita de fundamentos metodológicos que embasem a prática pedagógica interdisciplinar. Nesse sentido, questiona-se:
É possível desenvolver práticas pedagógicas interdisciplinares em arte-educação na quinta série do Ensino Fundamental. Como esse processo acontece nas escolas em estudo.
É possível no cotidiano da prática pedagógica escolar desenvolver as estratégias e metodologias na área de arte, pautados nos fundamentos da interdisciplinaridade.
Os(as) educadores(as)  de arte contam com  estrutura, direcionamento pedagógico e  funcionamento adequado para desenvolver o processo de  ensino-aprendizagem na escola.
A arte ocupa lugar de destaque na vida dos seres humanos, evidenciando-se que os educadores contemporâneos possuem uma postura profissional diferente da postura adotada na escola, ou seja, se os seres da natureza ou os objetos culturalmente produzidos despertam em nós diversas emoções e sentimentos agradáveis ou não  aos sentidos e ao entendimento, nesse sentido, torna-se necessário assumir uma disposição atenta e um gradativo aprofundamento dos conhecimentos sobre as práticas pedagógicas que envolvem arte-educação.
...é preciso perceber e analisar de que maneira as inter-relações artísticas e estéticas vêm ocorrendo ao longo do processo social da humanidade, como também tais relações mobilizam valores, concepções de mundo, de ser humano, de gosto e de grupos sociais. (SCHLICHTA, TAVARES E TROJAN, 1997.p.13).
O ensino da arte em educação caracteriza-se como uma temática desafiadora do ponto de vista da realização do processo de pesquisa, seja pela abrangência ou pela importância que o tema apresenta em termos de viabilização da execução nas instituições de ensino, visto que como disciplina obrigatória pertencente ao núcleo comum e por orientação metodológica, possui caráter interdisciplinar e torna-se, ao mesmo tempo, uma possibilidade onde todas as áreas do conhecimento humano podem atuar e interagir com área da arte, e também, um desafio, porque para além das demais áreas do conhecimento humano que podem atuar de forma interdisciplinar. 
É necessário, portanto, que o processo ensino-aprendizagem seja alimentado pelas interações significativas que os(as) educando(as) e educadores realizem interações significativas com aqueles com quem estão aprendendo, ou seja, os(as) outros(as) estudantes, educadores e artistas, como também com as fontes de informações, obras, trabalhos dos profissionais, acervos, mostras e  eventos.
Colocar as crianças em contato com a arte significa oferecer oportunidade de além de adquirirem novas habilidades, que poderão torná-los capazes de relacionar os conteúdos trabalhados com as próprias experiências.
Os(as) educadores(as)  podem contextualizar o processo ensino-aprendizagem proporcionando o contato dos(as) estudantes com obras do patrimônio cultural da cidade como escultura, pintura, música, artistas, por meio de participação e promoção de eventos interativos, e com isso desvelar conhecimentos referentes ás estruturas, funcionalidade, materiais, características da época, importância histórica e social entre outras.
O referido projeto de pesquisa pretende oferecer em termos de relevância social da arte-educação como prática interdisciplinar.
Além de analisar como ocorre o ensino da arte-educação nos processos de ensino-aprendizagem como conteúdo de grande significado para a vida e indispensável em todos os níveis, redes, graus e modalidades de ensino.
A contribuição que o referido projeto proporcionará em termos de relevância teórica reside na possibilidade afetiva de pesquisar, estudar, analisar e socializar os conhecimentos a fim de possa contribuir para a qualidade dos processos de ensino-aprendizagem na área da arte-educação, bem como analisar os Projetos Políticos-Pedagógicos das instituições de ensino pesquisadas.
Quanto à relevância prática o referido projeto pode contribuir no sentido de atualização e aprofundamento dos fundamentos teóricos metodológicos e a socialização desses conteúdos e informações para as diferentes comunidades escolares.
Segundo os fundamentos norteadores de Ana Amae Barbosa, contidos e referenciados na Proposta Curricular do Estado de Santa Catarina, (1991, p.146)[1] no que se refere aos fundamentos da arte-educação é fundamental:

Compreende conhecer, reconhecer e problematizar algumas propostas de ensino que vieram caminhando ao longo da história da educação, como: a pedagogia tradicional, a novista, a tecnicista, a sócio-crítica, a triangular, a estética do cotidiano, etc. Estudo da evolução gráfica e estética das crianças...
Sendo assim, os princípios norteadores da legislação vigente que se constitui em um constante desafio para os profissionais das diferentes áreas do conhecimento humano deveriam perseguir, especialmente os(as) educadores(as), pela relevância sócio-cultural da tarefa da prática docente e pelo grau de replicabilidade que essa postura profissional pode assumir, no sentido de difusão dos conhecimentos e princípios da arte-educação.
Para desenvolver um bom trabalho de arte o professor precisa descobrir quais são os interesses, vivências, linguagens, modos de conhecimento da arte e práticas de vida dos alunos. Conhecer os estudantes na sua relação com a própria região, com o Brasil e com o mundo, é um ponto de partida imprescindível para um trabalho de educação escolar em arte que realmente mobilize uma assimilação e uma compreensão de informações na área artística. O professor pode organizar um mapeamento cultural da área em que atua, bem como das demais, próximas e distantes. É nessa relação com o mundo que os estudantes desenvolvem as experiências estéticas e artísticas, tanto com as referencias dos assuntos abordados no programa de arte, quando com as áreas de linguagem desenvolvidas pelo professor. (artes plásticas, desenho, música, artes cênicas). (FERRAZ E FUSARI, 1992, p. 71).
A postura pedagógica interdisciplinaridade necessita de um maior entendimento e vivência para que realmente possa ser efetivada e produzir os resultados desejados em arte-educação, e é com esse espírito, o de analisar os fundamentos teóricos metodológicos com a prática, que se espera contribuir para a produção de um conhecimento que não seja fragmentado e que contribua para a solução de situações problemas na área, e nesse sentido destaca-se o significado do aspecto da arte como qualificador da educação, bem como a preocupação em contextualizar os sujeitos no entorno histórico, social, educativo e cultural.
 A relevância metodológica consiste em síntese o fato de proporcionar aos estudantes a vivência do processo artístico, evoluindo no que se refere à produção estética, a representação imaginativa e a expressividade. O importante é elaborara estratégias de ensino que visem a busca de soluções para situações-problemas no ensino da arte contextualizados na realidade imediata, estimulando os(as) estudantes na produção artística.
O ensino fundamental caracteriza-se como o lugar da verdadeira cultura geral, cujas pessoas estabelecem inter-relações significativas, por meio do diálogo entre a cultura científica, e o conhecimento popular adquirido, na família, na comunidade, e na vida e, nesse sentido, a arte-educação ou ensino da arte e a educação oportunizam o acesso à arte como forma de linguagem, de expressão e de conhecimento.    

_________.FRANÇA Noeli. Pedagoga. Especialista em Educação Infantil. Acadêmica do Curso de Arte da UNOCHAPECÓ.  Funcionária Pública Municipal. Mestranda do Curso de Ciências da Educação da Universidade Politécnica e Artística de Ciudad Del Este. Paraguai.


____. PROPOSTA CURRICULAR DO ESTADO DE SANTA CATARINA: Uma Contribuição À Escola Pública do Pré Escolar 1º e 2º Graus e Educação de Jovens e Adultos. Secretaria da Educação e Cultura do Estado de Santa Catarina. Florianópolis: IOESC, 1991.   

A FUNÇÃO SOCIAL DA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NOS PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL EM CHAPECÓ(SC).

A FUNÇÃO SOCIAL DA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NOS PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL EM CHAPECÓ(SC).


            A função social da mediação pedagógica nos processos de alfabetização e letramento: Possibilidades e Desafios no Ensino Fundamental, no Município de Chapecó(SC), mais especificamente  nas  Escola Estadual  de Educação Básica Antônio Morandini, Escola Estadual de Educação Básica Valesca Reske Parizoto e Escola Básica Municipal Rui Barbosa, considerando-se por conveniência e justificando-se pela proximidade, convivência e espaço de trabalho, estudo e interação social visto que as três instituições de ensino fazem parte da zona urbana, sendo duas estaduais e uma municipal.
A pesquisa de campo concentra-se-á  nas  primeiras e quartas séries dos anos iniciais de Ensino Fundamental, com a finalidade de se observar, analisar e identificar o processo de alfabetizar letrando,  no início e no transcorrer dos processos de ensino-aprendizagem.
       O tema da pesquisa é atual e de grande significado porque envolve, para além da leitura e da escrita, a perspectiva de promoção humana para o mundo das letras, dos signos, do significado das diferentes linguagens, entre outros critérios que envolvem os processos de mediação pedagógica no ato de alfabetizar letrando.        As instituições de ensino cada vez mais estão correspondendo aos anseios da sociedade contemporânea que elegem a escrita e o fato de saber codificar e decodificar, por meio dos signos, sinais, letras, ou seja, os códigos linguísticos, características de alfabetização, o que ainda se tem revelado de forma insuficiente para corresponder ás exigências do mundo contemporâneo. É preciso, para além da apropriação do código escrito, exercer as práticas sociais de leitura e escrita necessárias nos diferentes espaços sociais. O processo de letramento, carregado de significado, atualmente ganha espaço e nova dimensão no mundo da leitura e da escrita. Alfabetizar letrando é orientar a pessoa a ler, escrever e conviver com as práticas reais de leitura e escrita.
A metodologia da alfabetização, ao longo do processo histórico educacional vem sofrendo alterações que, de certa maneira, revela a forma e as necessidades advindas do processo de organização social, política, educacional e econômica do País. Nesse sentido, pode-se argumentar que a utilização da leitura e da escrita está submetida a enfoques teóricos e metodológicos dirigidos às instituições educacionais por meio dos quais são direcionadas diretrizes e propostas pedagógicas que atendem as peculiaridades da cultura, da vivência e do contexto local. Por essa razão, considera-se a possibilidade de que algumas tendências político-pedagógicas, relacionadas à alfabetização, sofreram, e continuam sofrendo, influências de ‘modelos’ educacionais ligados a modismos da época, sem que, para isso, os educadores tenham consciência dos fundamentos teóricos que as determinam. Por esse motivo, verifica-se que as práticas alfabetizadoras resultam numa mescla de diferentes concepções pedagógicas que influenciam, diretamente, todo o processo educacional da instituição de ensino e, sobremaneira, a vida dos(as) envolvidos(as).
A definição da temática é decorrente da própria prática profissional exercida como educadora nas séries iniciais no Ensino Fundamental em instituições públicas de ensino e da necessidade de aprofundar os estudos na área da alfabetização e letramento.
...Alfabetizar significa orientar a criança para o domínio da tecnologia da escrita; letrar significa levá-la ao exercício das práticas sociais de leitura e escrita. Uma criança alfabetizada é uma criança que sabe ler e escrever, uma criança letrada (...) é uma criança que tem o hábito, as habilidades e até mesmo o prazer da leitura e da escrita de diferentes gêneros de textos, em diferentes suportes ou portadores, em diferentes contextos e circunstâncias(...) alfabetizar letrando significa orientar a criança para que aprenda a ler e escrever levando-a a conviver com práticas reais de leitura e escrita.(SOARES, 2004.p.24).

O significado de aprofundar os fundamentos teóricos é decisivo, porque se acredita que só pode optar quem conhece. E conhecer os fundamentos teóricos, as obras, os principais pensadores é importante até para se entender o processo histórico que essas áreas sofreram ao longo da história da educação brasileira, no Estado de Santa Catarina, por meio da Proposta Curricular e na própria Escola que, na prática, é a entidade que viabiliza os processos de ensino-aprendizagem, executa  e gerencia a educação em nível local.
O desafio dos(as) educadores em respeitar as diferenças  dos níveis, etapas ou fases de desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem dos alunos está presente diuturnamente nas atividades didáticas que cada profissional desenvolve. Nesse sentido, o referido projeto poderá contribuir para o aprofundamento metodológico e análise cuidadosa do processo de planejamento, execução e avaliação do ato pedagógico.
As classes de alfabetização formam-se necessariamente com um conjunto de alunos com histórias de vida diferentes, sendo pelas contingências práticas, classes heterogêneas. Uns sabem alguma coisa, outros sabem outra, alguns já aprenderam alguma coisa própria da escola, outros não. Algumas crianças tiveram pré-escola, e aprenderam os rudimentos da leitura e da escrita, outras nunca estudaram nada. Algumas crianças aprendem coisas em casa, têm lápis, papel, livros, outros nunca tiveram nada disso. Cada aluno tem uma história.(CAGLIARI, 2004: p.52-3).
      Os(as) estudantes, nesse sentido, são os maiores beneficiários desse projeto de pesquisa que visa a desenvolver o processo educacional com qualidade, e porque se acredita que é na alfabetização e no letramento, desenvolvidos a partir de uma mediação pedagógica coerente, atualizada e contextualizada, entre outros critérios, que se poderá  investir nos estudantes, para que adquiram e se apropriem do código escrito, aprendam a ler e, escrever e, ao mesmo tempo, convivam e  (...) participem de práticas reais de leitura e escrita, tanto de alfabetização como de letramento que, apesar de serem processos diferentes, são inseparáveis e indispensáveis na apropriação das diferentes linguagens e na inserção do indivíduo na  cultura escrita.”(PROPOSTA CURRICULAR DO ESTADO DE SANTA CATARINA, 2005.p. 24)
      Essas e outras possibilidades e desafios exigem dos(as) educadores(as) maior dinamismo e mobilidade nas práticas pedagógicas, nas mudanças de postura,aquisição de novos conhecimentos, adoção de novas concepções pedagógicas como também a abertura para  aprender e assumir o importante papel de educador(a)  alfabetizadora(a), principais destinatários do referido projeto assim como dirigentes ou  gestores educacionais e técnicos. Os dados do sistema de Avaliação da Educação Básica(SAEB/2003) indicam que 59% dos(as) alunos(as) da 4ª série apresentam acentuadas limitações  no aprendizado da leitura e da escrita. Essas dificuldades têm sido atribuídas dentre outras situações-problemas, aos fatores socioeconômicos das regiões de origem das crianças.
...a escrita não é apenas um ‘objeto de conhecimento’ na escola. Como forma de linguagem ela é uma constitutiva do conhecimento na interação.  Não se trata então, ‘apenas de ensinar’(no sentido de transmitir) a escrita, mas de usar, fazer funcionar a escrita como interação e interlocução na sala de aula, experienciando a linguagem nas várias possibilidades. No movimento das interações sociais nos momentos das interlocuções a linguagem se cria, se transforma, se constrói como conhecimento humano. (SMOLKA, 1989, p.45).
A interação social das crianças na família, na escola e na sociedade ocorre de forma diversa e ocorre de forma espontânea pois vem sendo culturalmente ensinada, desde antes de as crianças virem ao mundo, pela família e pelas pessoas que fazem parte do convívio social.
A função social da escola, nesse sentido, é o de aperfeiçoar de forma a desenvolver uma ação pedagógica coerente e adequada aos tempos atuais, possibilitando aos(as) estudantes a aprendizagem do sistema linguístico e a condição de uso da língua,  da leitura e da escrita das  diferentes linguagens produzidas, culturalmente, na vida.

_______.APPEL, Sonia Aparecida. Pedagoga. Especialista em Alfabetização. Mestranda do Curso de Ciências da Educação da Universidade Politécnica e Artística Del Paraguai. Funcionária Pública Estadual.

domingo, 28 de outubro de 2012

LENDA DO RIO URUGUAI: RIO DOS PÁSSAROS

Lenda do Rio Uruguai: Rio dos Pássaros.
Foto: Claidi Todescatt: PortoGoio-En, formação do Lago Fozdo Chapecó.  
 
Ouvia lendas inesquecíveis sobre os sete povos e sobre o próprio município. Seu mundo interior povoava-se de figuras e dimensões encantadas. Destacava sempre uma em especial, a do nascimento do rio Uruguai, numa das muitas confrontações havidas entre o diabo vermelho dos índios, - o ANHAGUAPITÃ , - e São Pedro.

         Certo dia o diabo, cansado de caminhar pelas matas, porque, nesse tempo, tudo isto aqui era só mato a perder de vista, o caaguaçú, o mato grande, de água não existindo nem as lagoas, nem o jacuí, nem o ibicuí: decidiu tirar uma sesta para refazer as forças e continuar sua caçada de almas malvadas.

          E tratou de se espichar num tapete de guanxumas alta. Caiu bem ao pé de uma figueira carregadinha de frutos maduros.

          Nesse tempo, povoava essas matarias que se estendiam longe, a fazer limites com Santa Catarina e as terras do rei da Espanha, uma raça de passarinhos pequenos e cantadores, chamada URU. Aquele dia, depois de saborearem também os figuinhos roxos e suculentos, resolveram dar graças a Deus, cantando o que era uma lindeza de se ouvir.

            Eram milhares de milhares, estendidos desde de a linha serranias e pinheiras das alturas de Lajes, ao norte, ali por onde hoje se levanta Bom Jesus e Vacaria, até aqui por estas bandas rasas, no extremo sudoeste, por onde se alargam os pampas de Santana Velha e da Barra do Quaraì.

             O diabo, que tem um sono de pedra e ninguém consegue acordar quando está dormindo, naquela tarde não pode deixar de ouvir a orquestra dos passarinhos. Sua irritação era tamanha que resolveu dar um sumiço nesses bajuladores do Velhinho lá de cima...
Unindo o gesto a palavra, encheu as bochechas de vento, ficando com a cara em brasa, de tanto fazer força. Depois que tinha botado dentro da boca a maior quantidade de furacão, soprou com tanta fúria quanto podia, virando para o lado de onde lhe parecia provir o som.

             A passarada tratou de se cambiar, atirando-se espaço á fora, num movimento único. Depois pensaram que se o diabo não queria que eles cantassem no fofo dos galhos e ramagens, então cantariam no ar mesmo fora de seu alcance. Lá em riba recomeçaram seu gorjeio, ainda mais bonito, mais alegre do que antes.

            Furioso o diabo resolveu matar todos de uma vez só. Ouviu-se uma explosão, era como um tiro de canhão. E um horrível fedor de enxofre se propalou, na terra e no ar, deixando a bicharada tonta de cair.

            Com aquele canhonaço que se ouviu por milhares de léguas ao redor, o velhinho São Pedro, que também andava cá na terra, desconfiou que aquilo não podia ser coisa boa.
Nisso o relampejo do sol, sobre as asas do miles de passarinhos que começavam a cair do céu a imitar uma chuva transparente, daquelas do tipo casamento da raposa, alertou o santo de vez.

           Levantando as mãos para o céu, pediu a benção do Espírito Santo – que também era uma ave, pois sempre aparece disfarçado de pombinha branca – numa tentativa de salvar os bichinhos da senha malvada que os estava exterminado aos miles.

         Ergueu a mão direita na direção da passarada que caia, e á medida que o poder mágico de seus dedos ia atingindo os uruzinhos, foi acontecendo um milagre.

          As avezinhas que ainda tinham qualquer sopro de vida no corpo, foram se transformando em gota d´água, e as que já tinham morrido, se despencaram do alto para o chão, mudadas em pequenas pedras redondas e chatas, hoje conhecidas pelo nome de chaleiras, e que lembra pelo formato um passarinho de asas abertas.

         O volume de água foi tanto, a prosseguir pelo chão, por vales, matarias e campos, que o limite seco que separava o Rio Grande de Santa Catarina e da Argentina se tornou num rio enorme.

         Foi assim que nasceu o rio dos Uruguai, o rio Uru-aa-i, rio dos passarinhos, outros chamam de “rio dos pássaros pintados”.



EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS E NA COMUNIDADE.
A inclusão da Temática da Educação Ambiental no currículo educacional e nos processos de formação, capacitação docente e na vida das pessoas das diferentes idades, grupos sociais é trabalhada por meio de diferentes estratégias. Um Projeto que realmente tem chamado a atenção dos(as) educandos dos diferentes níveis, graus ou modalidades de ensino e de educadores das diversas área do conhecimento humano é a  temática da preservação ambiental dos rios e em especial o Rio Uruguai.
A Associação Amigos do Rio Uruguai  e  Afluentes- AARU  desenvolve Projeto Luzes e Sombras: Identificando Impactos e Potencialidades do Rio Uruguai e Afluente e conta com a participação de várias entidades, onde  realizou várias viagens de barco a motor, por dentro do Rio Uruguai no trecho de  Ita até mo marco das três fronteiras adiante de Itapiranga(SC). Foi possível organizar documentários que visam identificar os impactos ambientais, reconhecer as potencialidades e diversidades do ambiente, e os aspectos antrópicos das pessoas que vivem no entorno do Rio Uruguai, e dos afluentes, a vida, a cultura, bem como a relação com a natureza.
As incursões pelo Rio Uruguai foram realizadas para registrar as alterações bruscas ao ambiente, e a vida das pessoas envolvidas. As alterações são evidentes e  a perplexidade das pessoas em geral também  porque num primeiro momento o surge aos olhos é a forma a magnitude dos empreendimentos, porém ao analisar com um pouco mais  de cautela  é notória a preocupação com  os impactos que eles causam  e a proporção destes na vida de todos e  por consequência da humanidade.
O bioma da Mata Atlântica está drasticamente reduzido, a falta de recursos madereiros é uma realidade então o que explica atitudes como esta de inundar os remanescentes florestais com árvores pioneiras e espécies endêmicas de orquídeas por exemplo que ocorrem somente neste local. A per da biodiversidade é um dos impactos mais graves em nível mundial e quando pode-se gerenciar a diminuição deste impacto porque não o fazemos
        A presença de resíduos sólidos urbanos como: plástico, pneus, metais entre outros é evidente na jusante do Rio Uruguai, os sarandis expostos estão todos enfeitados de resíduos (lixo) trazidos pela água .
       A falta de saneamento básico, com despejo no rio, dos resíduos poluidores comprometem a qualidade da água.
       O rebaixamento dos recursos hídricos caracteriza-se como um fator preocupante seja pela manutenção dos diferentes ecossistemas, seja pelo cenário paisagístico que sofre alterações drásticas, tanto no ambiente físico como na vida das populações ribeirinhas que dependem do rio para sobreviver.
         A ocupação e uso do solo de forma desordenada, sobretudo na margem do Rio Uruguai é um flagrante desrespeito à lei ambiental, à preservação do ambiente, observando-se ao longo do trajeto do rio; desmatamento, assoreamento, retirada ilegal de recursos naturais como árvores nativas, criação de animais como gado, ovelha, suínos, aves, cultivo de lavouras com uso de defensivos agrícolas.
         Os aspectos positivos, observados é que pode-se constatar o turismo de pessoas utilizando o Rio Uruguai para nadar, navegar com pequenas embarcações, pesca de caniço ou peca e solte, a educação ambiental trabalhada por algumas organizações não governamentais, a geografia do local que no vale fica mais suntuosa com os cenários de belezas naturais com quedas de água, corredeiras, nascentes, por de sol, morros, espraiados de singular beleza, fonte também de inspiração, nostalgia e poesia. Estes e outros aspectos são trabalhados nas palestras proferidas nas escolas E.B.M André Antonio Marafon, E.B.M Anita Garibaldi, E.B.M Waldemar Kleinubing, E.B.M Victor Meireles,  E.B.M. Rui Barbosa, E.B.M Lara Ribas, E.B.M Pedro Maciel, E.E Valesca Parizotto e Escoal Parque Leonel de Moura Brizola.
RIO URUGUAI
Como posso escutar o seu pulsar?
A febre é latente, impactos, tudo a infectar.
Coloquei estetoscópio,
Coloquei o ouvido na barranca
prognóstico...
O rio Uruguai sangra pelas ancas
Arrancar
Estancar,
Descaracterizar,
Alterar,
E só barro, formar.
Talvez para lembrar que somos terra,
Vivemos da terra e voltaremos para a terra.
Após o próprio corpo enterrar.
É um deslizar lento nas águas revoltas das cachoeiras
Beira loucura saber que logo todas vão silenciar...
Não haverá cenário a não ser de lago profundo
Fim do mundo para a biodiversidade aquática.
Tica de nada adianta pedir, ensinar, formalizar,legislar
Eles querem ocupar,
Alterar,
Transformar,
Descaracterizar
E ´produzir energia
Mais valia para poucos...
Impactos para todos...
Quem vai reverter esse jeito torto de ver o mundo
Esse jeito torto de ser sem sentir,
Permitir,
Negociar
E ganhar...
Até o que não está a venda como a qualidade de vida
Que nada que  lida,
Falida,
Ida sem volta.
Impacto sem recuperação,
Ferida infectada, não adianta amputar
Penso que deveríamos imputar
Outro paradigma, outro rumo,
Assumo.
Também não somos perfeitos
Que rumo tomarão os senhores prefeitos?
O tão não está afinado,
Para não cheirar o poder , o estragado.
Estagnado estará o lago
Impactado, doente o ambiente
Mire e esteja ciente, vivente
Tem que saber para onde corre o rio
Tem que conhecê-lo da nascente até a foz
Sentir seu pulsar,navegar, pesquisar,divulgar,  monitorar, aprender e  ensinar a preservar
E refletir o que será de nós?
Tem que entender qual é a tendência?
Qual é a (in)gerência,
Controlar a ância
Denunciar a ganância,
Da superior instância.
______________.TODESCATT, Claidi. Pedagoga. Especialista em Supervisão Educacional. Mestre em Gestão e Auditorias Ambientais. Doutoranda em Ciências da Educação. Presidente da ACEMAT - Associação de Cultura, Educação, Meio Ambiente e Tecnologia.

Foto revela as árvores submersas pelo Lago da Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó.


Alunos da Escola Básica Municipal Rui Barbosa (Chapecó – SC), receberam a Palestrante Claidi Todescatt que veio abordar sobre problemas emergentes do Rio Uruguai.
             O Rio Uruguai, passa por nossa cidade, pois  temos vários afluentes, que deságuam no Rio  Uruguai. O mesmo, faz a divisão dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, na Região  Sul do Brasil, e a margem de outros países: Brasil, Argentina e o Uruguai, a  sua nascente fica numa região brasileira chamada de campos dos Padres, depois ele “descarrega” suas águas no oceano Atlântico.
Neste rio há várias espécies de peixes, mas o mais conhecido é o Dourado, a palestrante explicou que infelizmente esta em extinção é um peixe muito apreciado pelos pescadores, é lendário por sua bravura e resistência uma vez fisgado. Se o Salmão é o maior alvo na pescaria no hemisfério norte, na América do Sul, o Dourado é o maior. A partir do mês de outubro, começa a época de piracema, onde a pesca de dourado é proibida, pois os peixes precisam nadar muito, corredeiras a cima  para desovar, a piracema dura até fevereiro.
 A professora ambientalista Claidi, contou que faz parte de um “grupo” a AARU- Associação Amigos do Rio Uruguai e Afluentes que ajuda a limpar o Rio Uruguai, que passa por varias escolas nas cidades próximas, para fazer relato do grupo, e falar sobre a importância do rio, eles acampam (se divertem), porque curtem a natureza, e é lamentável que eles tenham que fazer por precaução, e não por lazer.
 Eles também ajudam os animais, ela nos abordou um caso, onde uma vaca  que tinha caído no rio, e não conseguia subir o barranco, fazia mais de três dias que a vaca estava lá, sem comida e sem água, estava fraca, ao  passar por lá, a equipe colocou ela em solo firme e graças a essa atitude livraram o rio de mais uma poluição.
Entendemos que é perigoso deixar os animais tomar água em rios de água corrente, como o rio Uruguai. E o correto, seria manter uma distância de cem metros longe do rio, para reflorestar, e a partir dos cem metros, poder construir, plantar e deixar os animais livres, porque o rio pode sofrer interferências na natureza, como enchentes, vendavais e outros fenômenos naturais.
Se as pessoas forem prudentes e seguirem as orientações, não serão surpreendidas. Se não fosse as informações, de uma pessoa que , vivenciou as ações do homem sobre a natureza, ouviu relatos e historias   de como funciona a ação do “ser humano”  muitas pessoas, bem, como nós alunos não sabíamos como é essa realidade, que nos foi mostrado através de imagens onde os mesmos fazem documentário e/ou até mesmo (dossiês) e temos a certeza que a partir  dessas informações estaremos mais alertos e,  certamente vigilantes da natureza , bem como parceiros da palestrante  Claidi Todescatt.   
            E esse trabalho desenvolvido por ambientalistas, é ótimo, pois nos faz a ajudar a natureza, e futuramente se todos fizerem a sua parte, provavelmente não teremos tantas preocupações, e navegaremos no rio tranquilamente, para apreciar cada vez mais a beleza que o Rio Uruguai em toda sua extensão.
Aluna: Camila    Carniel                                Professora:  Mazali Fortes dos Santos  Sabi
Fotos da palestra na Escola Básica Rui Barbosa.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS REFERENTES A ÁREA AMBIENTAL QUE DEVEM SER CONTEMPLANOS NOS CURRUCULOS EDUCACIONAIS

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS REFERENTES A ÁREA AMBIENTAL QUE DEVEM SER CONTEMPLANOS NOS CURRUCULOS EDUCACIONAIS

Os ciclos da água, seus múltiplos usos e sua importância para a vida, para a história dos povos.
Os ciclos da matéria orgânica e sua importância para o saneamento.
As teias e cadeias alimentares, sua importância e o risco de transmissão de substâncias tóxicas que possam estar presentes na água, no solo e no ar.
O estabelecimento de relações e correlações entre elementos de um mesmo sistema;
A observação de elementos que evidenciem ciclos e fluxos na natureza, no espaço e no tempo.

SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE
A diversidade cultural e a diversidade ambiental.
Os limites da ação humana em termos quantitativos.
As principais características do ambiente e/ ou paisagens da região em se vive.
 As relações pessoais e culturais dos alunos e de sua comunidade com os elementos dessa paisagem.
As diferenças entre ambientes preservados e degradados, causas e consequências para a qualidade das comunidades, do entorno imediato até de outros povos que habitam a região e o planeta bem como das gerações futuras.
A interdependência ambiental entre as áreas urbanas e rurais.

MANEJO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

O manejo e a conservação da água; noções sobre captação, tratamento e distribuição para o consumo; os hábitos de utilização da água em casa e na escola adequados às condições locais.
A necessidade e formas de tratamento dos detritos humanos: coleta, destino e tratamento de esgoto: procedimentos possíveis adequados às condições locais (sistemas de esgoto, fossa ...etc).
As formas perceptíveis e imperceptíveis de poluição do ar, da água, do solo e poluição sonora: principais atividades locais que promovem poluição (industriais, mineração, postos de gasolina, curtumes, matadouros, criações, matadouros, criações, atividades agropecuárias, em especial as de uso intensivo de adubos químicos e agrotóxicos).
Noções de manejo e conservação do solo: erosão e suas causas nas áreas rurais e urbanas, necessidade e formas de uso de insumos agrícolas, cuidados com a saúde.
Noções sobre procedimentos adequados com plantas e animais; cuidado com a saúde.
Necessidade e principais formas de preservação, conservação recuperação e reabilitação ambientais de acordo com a realidade local.
Processos simples de reciclagem e reaproveitamento de materiais;
Cuidados necessários para o desenvolvimento das plantas e dos animais;
Procedimentos corretos com dejetos humanos nos banheiros e em lugares onde não haja instalações sanitárias.
Práticas que evitam desperdícios no uso cotidiano de recursos como água, energia e alimentos.
Valorização de formas conservativas de extração, transformação e uso dos recursos naturais.

CONTEÚDOS COMUNS

Formas de estar atentos ao consumismo.
Valorização e proteção das diferentes formas de vida.
Valorização e cultivo de atitudes de proteção e conservação dos ambientes e da diversidade biológica e sociocultural.
O zelo pelos direitos próprios e alheios a um ambiente, cuidado, limpo e saudável na escola, em casa e na comunidade.
O cumprimento das responsabilidades de cidadãos, com relação ao meio ambiente;
O repúdio ao desperdício em suas diferentes formas.
A apreciação dos aspectos estéticos da natureza, incluindo os produtos da cultura humana.
A participação em atividades relacionadas à melhoria das condições ambientais da escola e da comunidade local.
É possível expandir a temática da Educação Ambiental a problemática das abordagens mais complexas. Como a formação, do universo, à história do homem e da humanidade, oferecendo respaldo para as pessoas refletirem sobre o sentido maior da vida e embasar as suas opções e condutas.
Os conteúdos por si só podem não significar efetividade da Educação Ambiental. É à forma de articular estes componentes, é a forma de estruturar as abordagens que fazem, do currículo, uma experiência de maior validade.


A ABORDAGEM METODOLÓGICA DA
 EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A grande conquista da escola brasileira em termos de Educação Ambiental é a transversalidade da Educação Ambiental.
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, A Educação Ambiental  caracteriza-se pela  ruptura com os conteúdos pré-determinados, ou impostos, fragmentados, restritos.
O manejo do saber, a opção por definir, eleger, elencar os conteúdos nesta lógica, passa a ser dos educadores, dos educandos, da comunidade escolar que quando bem articulados possuem o poder de transformar as realidades e lutar por melhores condições de estudo, de trabalho, de cidadania, de vida.
As disciplinas, com os fragmentos de conteúdos, formais, historicamente tem gerado lacunas na compreensão dos problemas socioculturais, constata-se diuturnamente um reducionismo no processo de ensinar e aprender. A necessidade de superar a fragmentação das disciplinas e atuar na propositura de um currículo comprometido com uma compreensão mais inteira do mundo e de seus fenômenos.
A abordagem transversal oferece oportunidade de compreensão e vivência de problemas sociais e culturais apreendidos em toda a plenitude e complexidade com que acontecem e revelam-se, em oposição á desgastada prática tradicional de transmissão de informações, conhecimentos, valores e atitudes, dissociados da realidade vivida pelo educando.
A transposição metodológica que trabalha a aquisição e a produção do conhecimento como um processo aberto, flexível e comprometido eticamente. Sem negar a estrutura dos currículos educacionais, a transversalidade flexibiliza o processo de aquisição e produção do conhecimento e neutraliza o artificialismo inerente a prática pedagógica tradicional.
O ritual da rotina na escola, na família, na comunidade merece estudo e reflexão. A rotina imposta, cobrada intensamente das crianças contribui para quê? Para a ordem? A submissão? Isso quer dizer que, sensibilizadas as áreas do conhecimento, e por conseqüência neutralizado o artificialismo da rotina escolar, alcança-se maior significado na aprendizagem.       
A interpretação de totalidade da situação real, como recurso metodológico para contextualizar o conhecimento recriado no processo pedagógico permite a participação ativa de educandos e educadores e a comunidade por extensão, pois é a partir de buscas de saídas para as situações problemas enfrentadas na prática docente e na vida da comunidade que ambos descobrem-se sujeitos da aprendizagem e do processo sócio, histórico  cultural, educativo e ambiental.









MONUMENTO ROTARIANO EM HOMENAGEM AO RIO URUGUAI

ROTARY CLUB INTERNACIONAL
ROTARY CLUB CHAPECÓ



PROJETO
MONUMENTO ROTARIANO EM HOMENAGEM AO RIO URUGUAI


Projeto de recuperação de área degradada espaço que envolve o Monumento Rotariano em Homenagem ao Rio Uruguai, situado na BR.  No vale do Rio Uruguai.
Elaboração: Profª Claidi Todescatt.


Chapecó(SC) 18 de Maio de 2010



1. TEMA


              Projeto: Monumento Rotariano em homenagem à preservação do Rio Uruguai.
        
2. APRESENTAÇÃO

            O Monumento em Homenagem à Preservação do Rio Uruguai é um marco Rotariano que foi construído em homenagem à preservação do Rio Uruguai encontra-se na serra, no vale do Rio Uruguai próximo ao Goio En. A localização geográfica, entre montanhas entrecortadas por florestas nativas e grandes áreas de bosques com espécies exóticas que servem para manejo florestais, o cenário paisagístico do  Rio Uruguai, formam um tabuleiro de cores e de características sócio ambientais sem igual.
A beleza cênica do local com as características peculiares do vale com a neblina e a relva das manhãs, o calor e o sol escaldante nos dias ensolarados e as sombras que cobrem a montanha no entardecer formam um contexto único talvez para nos lembrar da tarefa docente e cidadã que temos de preservar o ambiente e os valores socioculturais por meio da cultura e da postura interinstitucional que integram as entidades parceiras do Rotary Chapecó neste projeto.
            A educação ambiental é um tema transversal e interdisciplinar  que permeia o currículo educacional ao longo dos processos de formação humana e profissional, é conteúdo recorrente na legislação educacional brasileira e na diferentes produções acadêmicas porém está longe de acontecer de fato  nas atividades rotineiras daqueles que utilizam do espaço físico e o contexto que integra o monumento em homenagem ao Rio Uruguai
O problema mais visível infelizmente é a deposição de lixo sólido na margem da rodovia e no entorno do monumento é constante, talvez para nos lembrar dos desafios que temos de preservar o ambiente por meio da educação e sensibilização do povo e também porque o local não contava com uma infra-estrutura mínima para atender os turistas e a população que para neste espaço para descansar e apreciar a paisagem.
            O patrimônio somente histórico e natural será preservado se houver educação e valorização, se atuarmos de forma continua e integrada junto à comunidade integrando o maior número de pessoas nas ações desenvolvidas nas instituições sociais e junto a comunidade.
É neste sentido que acreditamos que o Rotary Club Chapecó deve assumir a missão social e cidadã de orientar, coordenar e valorizar as ações interativas de educação patrimonial e ambiental iniciando pelo Monumento Rotariano em Homenagem ao Rio Uruguai divulgando na própria entidade, nas famílias que compões a família rotariana e na imprensa de maneira geral para que os munícipes possam saber sobre a proposta que este marco nos sinaliza.  Na verdade o objetivo maior é preservar os mananciais hídricos como forma de preservar o ambiente a vida, então poderemos começar  contribuindo com os cuidados com marco, dando exemplos,  atuando de forma integrada na preservação da Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai e toda a complexidade que a compõe.


3.OBJETIVOS

        3.1 Geral

         Desenvolver um processo interinstitucional que visa recuperar o monumento rotariano em homenagem a preservação do Rio Uruguai e o cenário paisagístico do entorno a fim de difundir para a sociedade a importância dos recursos hídricos para a qualidade de vida e a conquista da cidadania, entendendo que para além do embelezamento cênico do monumento e do entorno, temos o compromisso docente e cidadã de educar o povo e preservar o meio.

3.2 Específicos

        3.2.1 Integrar as diferentes entidades da sociedade civil e do governo municipal para visitar o monumento em homenagem à preservação do Rio Uruguai e avaliar as reais condições de desenvolver um projeto integrado a fim de recuperá-lo e de difundir junto à comunidade o significado e a importância deste marco na cultura e na preservação ambiental da América do Sul;

      3.2.2 Elaborar o projeto contemplando as atividades iniciais acordadas entre as instituições participante  e articular esforços no sentido de efetivar o processo de recuperação do monumento e integrar as  entidades em torno das causas da preservação do Rio Uruguai;

3.2.3       Difundir junto às entidades parceiras e o projeto visando integrar o maior número de pessoas no processo sócio-ambiental, por meio de diferentes estratégias interativas de ação sensibilização e mobilização social.

3.2.4       Realizar mutirão de limpeza do local, de implantação do paisagismo contendo: arborização e ajardinamento, e implantação de equipamentos como lixeiras, floreiras, barramento de segurança por meio de cerca viva ou de muretas, realizar avaliações técnico profissional para verificar se há  possibilidade de instalar energia elétrica,  e o sistema hidráulico que foi  danificado.

3.2.5       Organizar um processo de mobilização social junto às entidades parceiras para organizar a inauguração da recuperação do local e encaminhar o processo de preservação ambiental do Rio Uruguai, verdadeira filosofia deste monumento;

3.2.6       Encaminhar um processo participativo e contínuo de preservação e manutenção do monumento e do entorno a fim de torná-lo um ponto turístico, com um mirante para podermos contemplar e preservar as belezas e oportunizar um local adequado e belo, e agradável aos que trafegam na serra do Rio Uruguai;

4. ESTRATÉGIAS E ATIVIDADES
      
 . Realização de visitação “ in loco para  constatar a realidade imediata e encaminhar as atividades práticas de recuperação da área, de educação e mobilização socioambiental;

. Elaborar o projeto de recuperação da área degradada e encaminhar as atividades de mobilização social por meio de entidades parceiras como: Reunião de socialização e contextualização do projeto, pesquisa da história do monumento, entrevista com pessoas que acompanharam o processo de construção do monumento;

 . Entrar em contato com as pessoas responsáveis pelo setor de Turismo da Prefeitura Municipal de Chapecó, explicar o contexto do projeto e solicitar que a Prefeitura inclua o Monumento em Homenagem à preservação do Rio Uruguai no roteiro turístico do Município e para colaborar no processo de difusão  e preservação do mesmo;

                    À Subprefeitura do Distrito do Marechal Bormann, encarregou-se de encaminhar as atividades práticas propriamente ditas de limpeza, embelezamento e recuperação do local como:

            Coleta, seleção e reciclagem de resíduos sólidos;

            Roçada do capim invasor, capina, limpeza, rastelamento;

            Colocação de cargas de terra para melhorar o terraço na parte posterior ao monumento;
      
            Construção de uma mureta de proteção no contorno posterior ao monumento devido à declividade do terreno, oferecendo maior segurança para as pessoas e especialmente às crianças que visitam o local;

            À sugestão é que façamos um elevado longitudinal de terra própria para jardim, que possamos adubá-la e plantar Hortênsias(Hidrângea macrophilla) como um corredor verde e florido que facilita o embelezamento e paisagismo do local;

            Construir um jardim em volta do monumento com colocação de terra para destacá-lo e plantar mudas de Hortênsias(Hidrângea macrophilla), Agapantus( ) Érica() Lírio Azul ou Amarílis, em fim espécies rústicas que não  exigem muito manejo. Sugerimos esta espécie porque combina com o cenário paisagístico do local e com a rusticidade própria que exige em épocas de estiagem, também por não oferecer espinhos e deslumbrar com as tonalidades de cores variadas facilitando o próprio manejo e pega por estaquia. As Hortênsias combinam com água, com mulheres e com seres humanos sensíveis que amam o ambiente e querem preservá-los, bem como com a  proteção do solo contra erosão.

Neste espaço, onde foi construído o monumento a degradação ambiental e patrimonial é histórica, sofre constantes ataques de  furtos, vandalismo, degradação e a presença constante de animais  colocados propositadamente para pastar no local e assim degrada o ajardinamento.
      
            Planta árvores de diferentes espécies no entorno do local sendo que respeitado-se o aspecto do “ mirante” permitindo visibilidade ampla aos visitantes que desejam fotografar e contemplar o vale do Rio Uruguai, neste sentido  sugere-se espécies como Ipê( Tabebuia avellanadea e tabebuia chiysotricha) e Pata de vaca(Bauchinia variegata), entre outras espécies nativas como Pitangueira(Eugênia uniflora) Cerejeira(Eugênia involucrata).

            Colocação de pedras britadas, médias e passar o rolo compressor para compactar bem a superfície;

            Verificar a possibilidade de colocar asfalto ou uma camada generosa de pedras britadas no acesso anterior ao monumento evitando e prevenindo a erosão do solo que ocorre neste local devido à declividade do terreno e por estar à margem da rodovia com tráfego intenso;
 
            Colocação de lixeiras, porém, devido ao vandalismo que ocorre neste local sugere-se que sejam chumbadas de forma a garantir a permanência destas no local;

            Contactatar com a empresa e a equipe que realiza a coleta seletiva de resíduos para que garantam coleta de resíduos sistemáticos no local;

            Construir uma bancada elevada em concreto para amparar ou apoiar o livro de concreto que contém as inscrições que identificam a obra e a entidade mantenedora;

            Garantir a colocação de placa informativa identificando o projeto e a participação das entidades no processo de recuperação e manutenção do monumento e do paisagismo do local;
              
               Verificar, avaliar as condições técnicas de instalar um ponto de energia elétrica no local;

         
              Ao Rotary que é entidade mantenedora cabe centrar atenção no próprio monumento e coordenar o processo de recuperação, identificação e preservação.

.Cabe ao Rotary difundir a história, os objetivos e a filosofia própria do monumento, que para além deste local que é um símbolo, uma marca, um ensinamento serve para nos lembrar da tarefa docente e cidadã de preservar o ambiente, especialmente na Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai.

. De atuar de forma consciente e integrada com outras instituições em caráter continuado para contribuir com os princípios da paz, da sustentabilidade, da qualidade de vida;

. Cabe também de forma prática decidir o que fazer para embelezar o monumento, propriamente dito, isto é se vão passar massa e pintar, se vai ser ladrilhado, se vão recuperar as inscrições no livro ou seja, a identificação da obra.

. Na própria entidade realizar reuniões que possam esclarecer o projeto e encaminhar mutirões de trabalho envolvendo integrantes da entidade á participarem;

. Como sugestão propomos ao final do processo de recuperação do monumento organizar uma inauguração com a presença de autoridades, convidados, estudantes da Escola Básica Goio En,  educadores, imprensa para  divulgar o trabalho;

Denunciar os ataques de vandalismo e danos ao ambiente e ao patrimônio, entrar em contato com a Polícia Militar e solicitar maior atenção no local;

Propomos que o Rotary realize junto aos Rotary Internacional um intercâmbio com os companheiros rotarianos Uruguaios e Argentino para saber como andam as atividades e a preservação dos monumentos em homenagem ao Rio Uruguai naqueles países;

Propomos também divulgar este trabalho na revista rotária e nos ideários da instituição bem como na imprensa local como forma de educação ambiental e patrimonial.

Quanto às entidades parceiras como à AARU- Associação Amigos do Rio Uruguai e Afluentes e ACEMAT- Associação de Cultura, Educação, Meio Ambiente e Tecnologia, Horto Botânico de Chapecó cabe contribuir no processo de mobilização social por meio da conscientização e educação ambiental;

Promover palestra nas escolas lindeiras para difundir e conscientizar quanto ao projeto;

Elaborar o projeto ou a redação das decisões integrantes do projeto;

Fotografar e acompanhar o processo de recuperação, difusão, educação e preservação do monumento;

Contactar com o setor de turismo da Prefeitura Municipal de Chapecó para colocar o Monumento na agenda de turismo do Município. (já foi elaborado e acatado o pedido);

Incluir o projeto nos demais projetos que abordem da temática de educação, preservação e recuperação ambiental do Rio Uruguai;

Promover eventos “in loco” como encontro e partida das diferentes equipes que navegarão pelo Rio Uruguai e difundir a proposta;

Contactar com moradores lindeiros por meio de visitação “ in loco” para explicar sobre o projeto e solicitar ajuda na  preservação.





Recolhimento de lixo sólido, abandono, degradação patrimonial e ambiental.


         

Limpamos o entorno do jardim.

Plantio de Lírio azul e cravinas. Com coleta de lixo sólido no local.
Dia 12 de Julho presença da equipe de funcionários do Serviços Urbanos- Prefeitura de Chapecó, acompanhados da Profª Claidi Todescatt.

Coleta de lixo sólido em grande quantidade, adubação do solo com adubo químico cedodo pelo Horto Municipal, plantio de flores(íris), corte de grama, rastelamento.